Como posso resolver meu sentimento de estar no modo sobrevivência?

Por Fatima · · 46 visualizações · Relacionamentos Família Trauma Autoconhecimento
Sempre fui inclinada pelo autoconhecimento e tenho a impressao de ter passado a vida toda em terapia, autodidata e tb com profissionais se eu podía pagar. Hj falo dos meus pais sem dor, nem rancor, nao penso mais em como poderia ter sido assim ou assado.
Mas ainda assim, parece que tem um lugar em mim que ainda nao cheguei, sou consciente da criança interior, o autoperdao, sou responsavel na minha vida pratica, sei sobre as necessidades emocionais, da importancia da historia familiar... mas sinto que tem algo que nao me deixa sair do modo sobrevivencia, e quería muito desembaraçar isso dentro de mim...
Sou consciente do desiquilibrio interno que eu tinha ao ter tido tres relacionamentos e filhos deles e o impacto que isso causou neles... E por saber que buscava nas minhas relaçoes, coisas que elas nao podiam me dar, tomei o tempo pra ficar sozinha cuidando de mim, nao me sinto só nem carente, mas tenho o desejo de encontrar o meu melhor amigo de vida, mas nao vejo isso como prioridade nesse momento...
Nao consigo trabalhar no que eu gosto, sempre trabalhei pra pagar contas...
Enfim, sinto que acumulei muita teoria e, na pratica fui batendo cabeça pelo mundo, parece que nao sei o que estou fazendo, senao nao estaría assim...
Como resolver isso?
Obrigada!

3 respostas de terapeutas

Katia Arsilla
Ver perfil · Pilar do Sul/SP
Obrigada por compartilhar isso com tanta consciência e verdade. O que você traz é muito precioso. Na visão sistêmica, quando a gente sente que "sabe tudo na teoria mas na prática continua no modo sobrevivência", muitas vezes existe uma lealdade invisível atuando. É como se uma parte sua ainda estivesse sustentando algo do seu sistema familiar. Não por falha sua, mas por amor. Você já fez movimentos lindos: olhou para seus pais sem dor, reconheceu o impacto dos relacionamentos nos seus filhos, escolheu cuidar de você. Isso é tomar seu lugar de adulta. O "lugar que você ainda não chegou" pode ser justamente o lugar de quem veio antes. Às vezes continuamos sobrevivendo porque, no fundo, seria desleal com alguém do sistema se permitíssemos viver com mais leveza, prazer ou abundância. Como se trabalhar no que ama fosse trair quem só trabalhou para sobreviver. A pergunta sistêmica aqui não é "como resolver", mas "a quem eu ainda pertenço quando me mantenho nesse lugar?" e "o que eu preciso honrar para então poder seguir diferente?". Isso não se desembaraça só com mais teoria. Se desembaraça quando o corpo e a alma consentem em ocupar um novo lugar, com a bênção dos que vieram antes. Se fizer sentido para você, podemos olhar para isso juntas. Sem pressa, respeitando o tempo da sua alma.
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Robert Rocha
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O que você falou mostra um conflito muito profundo: a mente já entendeu… mas o corpo ainda vive em modo sobrevivência. E muitas vezes isso não é falta de conhecimento. É lealdade. Uma parte sua quer prosperar, descansar e viver leve… enquanto outra ainda acredita que viver diferente da própria história é quase uma traição. Você já começou um movimento muito importante quando deixou de culpar e começou a olhar pra si mesma. Mas existem dores que não se resolvem só na teoria, porque o que sustenta esse padrão é emocional, corporal e sistêmico. A pergunta não é só “como resolver isso?”, mas “o que dentro de mim ainda acredita que precisa sofrer para pertencer?”. Se fizer sentido pra você, podemos olhar isso juntos com profundidade.
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D
Ver perfil · Santa fé do sul/SP
Entendo que você buscou muito o conhecimento para conseguir lidar com o que passou, mas, em um primeiro momento, o conhecimento nos auxilia apenas a entender. Quem sofreu não foi sua versão atual, mas uma versão mais antiga — justamente a que não tinha esses conhecimentos. A mente trabalha fragmentando as memórias, separando o que se sentiu, como se sentiu e o local. Muitas vezes, o segredo está em não olhar tentando explicar para a criança o que ela sentiu, mas sim em sentir com ela, permitindo que ela veja que toda dor trouxe algum ensinamento que, no momento, não pôde ser completo; como se ainda existisse um nó a ser desatado, esperando apenas a sua permissão para sentir.
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